Nasci em Penacova (1972)
As polaroids que o meu pai me mandava de África e a brincadeira de ver o mundo do avesso, olhando para trás de mim por entre as minhas pernas, foram os primeiros sintomas do meu interesse pela fotografia. No caso das polaroids, era uma forma de acompanhar, ao longe, o dia a dia do meu pai que andava literalmente por outro hemisfério. No segundo caso, era a surpresa de descobrir uma perspectiva completamente diferente e, parecer um lugar diferente, aquele que eu via repetidas vezes.
Entre as áreas de interesse que me foram surgindo um denominador comum: a comunicação. Na fotografia encontrei a forma mais criativa de o fazer. Tentei antes disso o jornalismo (imprensa e rádio) mas a forma pouco inventiva com que as oportunidades me íam chegando levou-me ao desinteresse. A fotografia foi uma decisão tomada por minha conta e risco. Algo sem “utilidade”.
Mais tarde na adolescência, numa dos pontos de encontro após aulas, lá estava sempre a foto “Le baiser de L’Hôtel de Ville” de Doisneau. Se bem me lembro, foi a olhar insistentemente para essa foto que decidi comprar uma Canon AE1 em segunda mão.
Muito mais tarde, fiz formação na Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, no IPF e, no MEF. Participei em vários workshops de fotografia. Fiz e participei em exposições. Fiz fotografia para músicos, para grupos de teatro, tenho entretanto algum trabalho publicado como o disco "Nove e Meia no Maria Matos" de Sérgio Godinho, do Livro "Divinas" do Círculo de Dança de Lisboa.
Procuro ter, nas minhas fotografias, o meu avesso, o lado detrás da minha máscara, procuro a fórmula para escrever o meu diário sem ter de usar as palavras. E isso, quero encontrá-lo reflectido na realidade exterior onde tenho a certeza que existe. Procuro esses lugares íntimos fora de mim. Assim, hei-de compreendê-los melhor. Registo (com ou sem objectiva), sem descansar, o que me rodeia à procura de um reflexo da pessoa que sou. Gosto das pessoas e o que o exterior delas revela sobre o lado de lá, mesmo que para isso, representem outras vidas em palcos maiores ou mais pequenos.
Ultimamente, penso que, o que mais me motiva neste jogo é a procura em si mesmo tendo deixado de lado a expectativa de encontrar explicações.
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