Não consigo, ainda que me esforce, olhar para a poesia e senti-la separada do seu criador. Acho sempre o exercício da criatividade como um acto solitário, intimista. A poesia, tal como a pintura, a música, a fotografia, são manobras pessoais plenas de intimismo.
Não acredito que tudo se baseie num técnica pura (há quem o diga!). Um acto de solidão partilhado é o que é. Olho para este estado, como uma espécie de resistência de terapia contra o adverso. Resistência forte em circunstâncias difíceis o que acrescentam à solidão do poeta uma valor maior.
Liberdade – um dos estados que o surrealismo acolheu – é o grito do poeta surrealista assumido, num país onde os homens são só até ao joelho.
Num país, numa terra, onde a esse alto valor de sonho e ambição íntima ficou perdido algures pelo caminho. Mesmo assim o poeta resiste, e cresce, e cria. Seja ou não visto como uma erva ruim a sobreviver pelas palavras em terra adversa e difícil. Mas linda ainda que seja só até ao pescoço como as mulheres. Mesmo que nada seja pleno.