“All that we see or seem is but a Dream within a Dream” *

[espelho] s. m., do Lat. speculo qualquer superfície polida ou muito lisa com a capacidade de reflectir a luz; chapa de vidro ou de cristal, estanhada na face posterior que reflecte os objectos na parte anterior.

Os primeiros espelhos criados foram pequenos espelhos de mão feitos de discos de metal ligeiramente convexos, polidos ao ponto de reflectirem a luz. Só a partir do século I d.c. começaram a aparecer espelhos de corpo inteiro. Os espelhos que conhecemos hoje, feitos de vidro com uma fina camada de metal, foram desenvolvidos nos finais do século XII.
Desde sempre que o Homem se sentiu fascinado com o seu reflexo, procurando qualquer superfície reflectora na qual se pudesse reconhecer. No entanto procurava algo mais, o que estivesse para além da sua imagem e do seu conhecimento. A busca pelo desconhecido tem sido desde o principio dos tempos muito importante para o Homem, a adivinhação ou contacto com o mundo dos espíritos era como respondia as suas questões durante a era ‘pré-cientifica’.
Nos últimos séculos a superfície reflectora divinatória por excelência tem sido o espelho, normalmente criado ou tratado para esse fim. A base deste método é a crença popular que a alma é reflectida sobre um espelho. Assim, através de meditação a alma comunica com a pessoa mostrando-lhe visões do passado e do futuro.
Talvez seja essa tentativa de ver a nossa alma, tão inerente e instintiva que nos torna por vezes narcisistas e enamorados do reflexo, que nem sempre o reconhecemos como a nossa própria imagem. Vemos apenas uma figura que nos hipnotiza e nos chama para um mundo diferente do nosso, assim como Alice que tanto desejava passar para o outro lado.

Andreia Neves Nunes [Setembro 2005]

* Edgar Allan Poe