Foi num dia de Novembro, dum ano em que ainda não havia televisão, que nasci.
Pela primeira vez respirei a atmosfera deste “nobre povo, nação valente e imortal”. Numa intensa gritaria me revelei, atitude que se prolongou pelos meses seguintes e que, hoje, suspeito ter sido uma questão de inadaptação.
Depois, os anos foram sucedendo,
lembro-me das aulas de catequese , de ter conhecido Jesus ( Cristo ), um personagem que sempre me seduziu, pela sua irreverência, pela sua consciência do mundo.
Lembro-me de ficar encantado vendo os meus pais construir álbuns de fotografias de família, de imaginar as vidas daquelas pessoas, olhando as suas imagens, momentos eternizados,
lembro-me da escola primária ,
lembro-me de receber as insígnias de chefe de quina na mocidade portuguesa,
lembro-me da máquina fotográfica do meu pai, a objectiva ficava na extremidade dum fole, e das fotografias que fazia – dos meus amigos, da praia, dos ralis, dos bailes de garagem, que sobreviviam com o meu gravador de fita TelefunKen; tempo dos Beetles, dos Bee-Gees, de Bob Dylan …., tempo de descoberta do amor…
Lembro-me do Hilman Imp, das calças Levi´s e do Elvis Presley.
Lembro-me de viajar para Coimbra, dos cinco anos que lá vivi, do mundo novo que descobri.
Hoje, lembro-me que a vida é finita e quero que as minhas fotografias me lembrem que existo.
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