Dirigiu-se para oeste, onde sabia encontrar o mar.
Talvez aí conseguisse perceber porque se sentia oprimido.
A cidade, às vezes, criava-lhe esse estado de espírito e uma insatisfação difusa, uma sensação de não se encontrar, de perseguir sonhos que não sonhou.
Olhou o mar e as poucas pessoas que ali estavam.
O som contínuo, perpétuo, da água em movimento, fê-lo recordar o tempo da escola primária.
Lembrou-sedo Jardim em frente, da Praça da República – parece-lhe um sítio parado no tempo, talvez pela fotografia onde todos os dias se vê, numa tarde de sol, a preto e branco, com os seus pais – e da importância daqueles anos no resto da sua vida, pelo mundo que lhe foi ensinado, pelas impressões sentidas.
Depois olhou, de novo, tudo à sua volta e sentiu-se encantado pela vida que se revelava a todo o momento.
Tudo era belo e efémero e pousou o olhar no suave movimento da água.
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