Em Nova Iorque, quem tenha o hábito de olhar para o céu, terá de, mais tarde ou mais cedo, usar uma coleira cervical, à força de tanto olhar para cima e para tão alto. Independentemente de serem mais, ou menos, comuns, não há edifícios que não tenham uma silhueta característica recortada contra o céu, seja ela a de um monólito kubrickiano, seja ela a de uma catedral gótica, seja ela acompanhada por decorativas gárgulas art déco ou por empresariais antenas.

Na perspectiva do pedestre, tudo se desenrola em planos cerrados, em cores luminosas, vibrantes, eventualmente claustrofóbicas, lutando para captarem vorazmente a atenção dos transeuntes ao fazerem-se sobressair numa eventual agressividade umas das outras, talvez contrabalançando o escuro das sombras projectadas dos edifícios nos edifícios.
Sucedendo-se umas às outras num frenesi, quase poderá comparar-se o recorte dessas silhuetas a um electrocardiograma que testemunhe o pulsar da cidade que nunca dorme.