O projecto “Es[passo] Fugaz” de 2005/2007 no âmbito do Projecto Lisboa materializou-se em exposição do meu olhar pensado sobre o que para mim significa Lisboa. Exposição conjunta com outros olhares que num todo foram a nossa Lisboa. Revisito-o para o manter sentido como meu; destaco-o do que foi a parte de um todo para o individualismo do que me é pessoal. Quero e espero que respire e se revele sobre si.
Um projecto que o foi continua a ser para além de tudo o que no entretanto se passou.
Continua a ser, mas sendo outro. Quando o revisito já o sinto outro sem sequer me
querer lembrar do que senti antes do agora. Apesar de tudo Lisboa continua ser uma
cidade que me marca no viver dos dias, cada dia diferente, um a seguir ao outro. O projecto continua a ser sentido na Lisboa que ocupa o seu espaço fugazmente no avançar do tempo.
Também o amor é fugaz mas só para se poder voltar a sentir de novo. Assim é o [meu] amor por Lisboa que encarna na mulher que a carrega como sendo ela própria para logo a largar. Largam-se para se reencontrar e aí se darem de novo a amar. É o partir para poder voltar. É o fugir para depois amarrar. É o amar para depois amar.
O depois do agora de antes é agora; e os fugazes passos que dou com Lisboa duram o tempo suficiente para em sentimentos me marcar e para me deixar a desejar por ela
amanhã sentir diferente. Depois do agora, para já, não quero saber.
Reassino, “Perco-me no teu corpo, Lisboa que agora e sempre deixo apenas para poder voltar.
Percorro-te nuamente e conheço-te como minha. . . . Afasto-me só para te poder olhar”
Pedro.Amaral.2009