É nos momentos de solidão que o outro em mim se revela. Liberta-se da mordaça que durante o dia o impede de gritar todos os nomes feios que a violência permite, quebrando todas as etiquetas da boa educação e rumando à felicidade.

Durante a noite o outro é soberano, Reina sobre as longas horas de insónia rasgando a pele dos seus inimigos, exorcizando fantasmas que há muito me assombram, traçando com audácia os caminhos que durante o dia não ouso.

Para o outro não há limites. Como enfant terrible que é, bebe na transgressão a sua joie de vivre. Como são belos os seus rostos Pop mergulhados num lacinante sofrimento plenos de teatralidade bebida nas artes performativas…

Digo agora com tranquilidade que o Outro já não me assusta. Afinal não há mais teatro no sonho do que na realidade e os verdadeiros monstros, esses sim, andam entre nós.